MACHU PICHU PERU TERRA DOS INKAS
Alguns acreditam que foram extraterrestres, e não os incas, que ergueram a cidade e que ela continuaria sendo campo de pouso de discos voadores. Para os cientistas, é o mais importante sítio arqueológico do continente. Com tudo isso, só não dá para chamar Machu Picchu de um "conjunto de ruínas", como geralmente acontece. Machu Picchu está viva. E ela fala com seus visitantes. O que quero dizer é que sua atmosfera, carregada de paz e de poder, mantém intacta a majestade da civilização inca, o maior império das Américas antes da chegada dos colonizadores europeus. Nem os terremotos nem os espanhóis conseguiram derrubar suas muralhas de pedra, ou o orgulho e o amor com que os quíchuas, descendentes dos incas, guardam suas tradições, entre elas a adoração do sol, da lua, das estrelas, do trovão, do arco-íris, dos rios e das montanhas. É dessa reverência que as pedras de Machu Picchu falam, para quem quiser ouvir.
Como os velhos incas. Há diferentes maneiras de chegar ao sagrado "Pico Velho", mas todas elas partem de Cuzco, a simpática cidadezinha colonial que foi capital do império inca e tornou-se o principal centro turístico do Peru. A mais comum é pegar o trem que leva quatro horas até Aguas Calientes, vilarejo no pé da montanha da Machu Picchu, para depois subi-la de ônibus. Outra opção, bem mais rápida e cara, mais com um paisagem impressionante, é voar até lá, de helicóptero. A mais legal de todas, porém, é fazer o trajeto á moda dos velhos incas. Ou seja: a pé, durante quatro dias, por uma trilha de 42 quilômetros, quase toda ela uma escadaria de pedra, que sai do chamado Vale Sagrado do Rio Urubamba para atravessar um trecho da Cordilheira dos Andes, cujos desfiladeiros e penhascos –mais uma série de pequenas "Macchus Picchus" pelo caminho- fazem os olhos duvidar de tamanha beleza. A Trilha Inca é conhecida como o trekking mais popular das Américas (trenkking a Machu Picchu)
Macchu Picchu.
Os atrativos de uma cidade magnífica. Desde que o explorador americano Hiram Bingham descobriu a cidade abandonada de Machu Picchu, em julho de 1911, arqueólogos do mundo inteiro tentam decifrar seus enigmas. Há (quase!) um consenso de que ela teria sido descartada 50 ou 60 anos antes da chegada dos conquistadores espanhóis ao Peru e de que estes jamais a teriam conhecido. Como os espanhóis eram bem abastecido de informantes supõe-se que a cidade era um segredo até para os próprios incas, com acesso restrito a uma elite de governantes e sacerdotes.
A quantidade de templos e espaços sagrados sugere que Machu Picchu era mesmo um importante centro religioso. Também não faltam evidências de que seria um grande observatório celeste, já que essa combinação entre religião e astronomia é a base de toda a arquitetura inca. Como a grande maioria das ossadas encontradas no local eram de mulheres, alguns acreditam que Machu Picchu era a morada das Virgens do Sol, ou seja: o harém do imperador. Oscar Zereceda, que estudou a cidade perdida dos incas durante anos, supõe que ela tinha sido uma espécie de universidade, um grande laboratório não só de astronomia, mais de engenharia e agricultura.
A ausência de objetos de valor, como peças de ouro, prata e pedras preciosas é o principal indício de que Machu Picchu foi abandonada inteiramente pelos seus habitantes. Só ficaram para atrás objetos de cerâmica, ferramentas e restos de um aqueduto, sinal de que a cidade talvez ainda estivesse inacabada quando sua população deu no pé. O por que de isso, no entanto, ninguém sabe.
Existem três hipóteses para explicar o abandono: uma epidemia, uma invasão das tribos da floresta, com as quais os incas viviam em guerra, ou uma rebelião contra as autoridades do Cuzco, castigada com pena de morte para toda a população do Machu Picchu.
Hoje, esse e outros mistérios atraem até 2,000 visitantes por dia. É possível até mesmo passar a noite lá em cima no Hotel Machu Picchu Ruinas, que tem 32 apartamentos, mas cobra caro: 270 dólares a diária. E é o fascínio pela cidade sagrada que faz dela um dos locais mais procurados para o próximo réveillon , só que as reservas poden estar já esgotadas.
Os reis do ouro e da batata. Foram os maias e astecas, habitantes da América Central, que despertaram a cobiça dos conquistadores espanhóis: se eles gostavam tanto assim do ouro, havia no Sul um grande império com uma fartura inimaginável do precioso metal. A elite desse império, diziam, se vestiam com ponchos de lâminas de ouro e as paredes dos templos eram revestidas do mesmo material (o que, aliás, pode-se conferir no Museu de Ouro de Lima, o melhor motivo para visitar a capital peruana). Os espanhóis ainda levaram 20 anos para descobrir o Peru e conferir que aquela historia não era mentira. Foi o fim dos incas o "Filhos do Sol", o maior império das Américas, que se estendia do Equador a Argentina, e cujos antepassados tinham uma técnica de mumificação 2,000 anos mais antiga que a dos egípcios. Sua maior herança, porém (mais conhecida que Machu Picchu!), foi um alimento descoberto por eles 3,000 antes de Cristo: a prosaica batata.








































